Arquivo de janeiro, 2013

Imagem: Veja.com

Santa Maria e o pecado da moralização!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Eu particularmente não vi, mas muitos relataram que alguns evangélicos estavam postando nas redes sociais bobagens sobre a tragédia na boate Kiss de Santa Maria (RS). Uns diziam que se os jovens tivessem na igreja eles estariam vivos. Outros diziam que a tragédia é a manifestação da ira de Deus sobre a sociedade permissiva. É caso para chorar!

Deus sabe o quanto fiquei triste com essa tragédia. Cada rosto despertou em mim um sentimento de luto. Aquele jovem poderia ser um parente meu, quem sabe um irmão ou um primo. Ora, poderia ser um grande amigo ou um colega de faculdade. Números em tragédias são impessoais, mas rostos não! Dei graças a Deus que a minha congregação levantou um clamor pelo consolo das famílias. Infelizmente, em muitas tragédias a igreja esquece de orar, enquanto se apressa em explicar.

Mas por que esses evangélicos falaram besteiras? Em setembro de 2009, a jovem Gabriela Lacerda, 15 anos, morreu. Na balada? Não, ela morreu porque foi ao culto. Lacerda era uma das vítimas do desabamento do teto da Igreja Renascer em Cristo em São Paulo (SP). Em 1998, 25 pessoas morreram dentro de um templo da Igreja Universal em Osasco (SP). Se elas estivessem em suas casas não teriam morrido. Então, se você abriu a boca para falar “se eles tivessem na igreja estariam vivos” lembre, também, os templos sem manutenção provocam acidentes. A maioria de nós congregamos em templos sem nenhuma segurança. Sim, talvez você e eu corramos o mesmo perigo daqueles jovens. E há até igrejas que usam vereadores “evangélicos” para darem um “jeitinho” na prefeitura. Já pensou nisso?

O pecado da moralização

Todas as vezes que uso a expressão “eu avisei” ou “bem feito”, logo me sinto em pecado. Desde cedo Deus me incomoda quando abro a boca para usar essas palavras. Jogar na cara de alguém o erro com certo prazer de “arauto eficaz” é iniquidade. Sim, é transgressão quando você diz “eu avisei” para jogar ao desobediente o seu prazer mórbido no desastre dele. Isso se chama vaidade. É orgulho, o orgulho dos fariseus. É o pecado da moralização.

Vamos falar do pecado alheio? Sim, é claro, mas com dor no coração. Quando Jesus profere um longo discurso sobre os pecados dos fariseus Ele encerra dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” [Mateus 23.37]. Observe bem quanta lamentação, quanta dor no coração de Jesus com a incredulidade de Jerusalém. Se eu falo de pecado sem dor, eu peco. Motivo? Ora, estamos falando de seres humanos dos quais Cristo deu a Sua própria vida.

Portanto, nada dessas lições de moralismo de beato. Sejamos prudentes. Paulo disse a Tito: “Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados”. [Tt 2.6 ARF], mas alguns versículos antes ele também exortou: “Ensine os homens mais velhos a serem sóbrios, dignos de respeito, sensatos, e sadios na fé, no amor e na perseverança” [Tt 2.2]. Será sobriedade, sensatez, fé sadia falar “bem feito” para jovens mortos em uma tragédia? Será amor e respeito mostrar o seu poder moralizador no calor da tragédia?

Tragédia não é para moralizar, é para chorar. Ah, mas foi juízo divino, diriam alguns. Bom, você sabe? Você conhece todos os caminhos de Deus? O pastor que morre de bala perdida dentro de um templo foi fulminado pelo juízo? Ou você pensa que quando pecas continuamente e nada acontece se isso não é uma forma terrível de juízo divino? Quando um grande terremoto destruiu a católica Lisboa de 1755, matando milhares, alguns religiosos descobriram os culpados que atraíram a ira divina: os protestantes!

Via site TeologiaPentecostal.com

 

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